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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Egos e sentimentos, a Perda de um filho

Quando perdemos um filho, é como se fossemos ar quente dentro de uma garrafa.

O caos interior é tão grande, que a sensação é para lá do vazio.

Nem a "grarrafa" vazia sentimos, não sentimos nada, apenas espanto, frustação, impotência, descordenação física e mental.

São momentos em que nem ouvimos o que nos dizem, não conseguimos sentir palavras ou acções, apenas queremos o silêncio, a solidão, para assim tentarmos "arrumar" o turbilhão que vai em nossa cabeça, procurar arrumar a cabeça, procurar raciocinar... acto impossível numa mente confusa.

O luto deve ser feito, tem que ser feito, mas o luto é feito interiormente, o luto é o arrumar, o aceitar, o libertar o ser que partiu.

O acto do luto é importante para ambos os lados, começa em nós e liberta o que partiu, dá-lhe paz, bem estar, harmonia, mesmo que nós não a tenhamos.

A morte, o desencarne, é tão natural quanto o nascer, sempre se nasceu e morreu, uns antes e outros depois, uns mais cedo e outros mais tarde, não posso ser egoísta ao ponto de, por ter saudades, por achar que a ordem natural não é essa (quem disse que há uma ordem natural?), não posso "prender" aquele que parte, se sou Pai, a minha responsabilidade de pai obriga-me a ser coerente, a ser frio e a continuar a dar o melhor a meu filho mesmo depois de partir.

Quando não aceito o que é "Natural", estou a impor preocupação e mal estar ao que parte, como homem, recuso-me a fazer tanto mal a meu filho, se o amei em vida, tenho de continuar a dar esse mesmo amor após a sua morte, como se tivesse apenas saído de casa para formar o seu próprio lar... apenas não o posso visitar por agora.

Esta é aminha forma de pensar sobre este assunto, (a morte de um filho). Aceitar a natureza, e continuar a aceitar o meu filho como ele é e onde ele está. Só assim poderei seguir o meu caminho sem o prejudicar, sem ser egoísta, sem pensar apenas em mim, pois, se pensar de outra forma, estarei apenas a alimentar o meu ego e a ser a pessoa mais egoista que existe.

A dor da perda é o que o nome indica, ninguem gosta de perder nada, todos ficam enervados e com raiva se nos roubam um carro, imaginem a imagem (errada) de a natureza nos roubar um filho.

Ser Pai não é ser dono, ser pai não é comprar um cãozinho, ser pai é uma responsabilidade, um cargo, que não acaba com o afastamento de uma das partes.

Esta é apenas a minha forma de pensar e sentir:
Grandes provas, só para grandes guerreiros.

("ganhei" uma filha quando ela nasceu, ganhei ainda mais quando ela morreu).

JC
amigas este texto lindo tirei de um blog http://netideia.blogspot.com/2010/09/egos-e-sentimentos-perda-de-um-filho.html achei muito bonita essa forma de se expressar,espero que gostem tenho procurando formas de entender tudo que está se passando em minha vida e através de outras experiencias a gente as vezes entende um pouco melhor tudo isso que está acontecendo...

2 comentários:

HOMENAGEM PAPAI E MAMÃE LUCAS disse...

Querida Gaby, gosti muito do post e concordo com várias falas, principalmente quando refere que o luto deve ser feito interiormente, precisamos de tempo pra arrumarmos a nossa mente, colocar tudo no lugar pra conseguirmos viver novamente depois desta luta em nossas vidas, é o adaptar a esta nossa nova condição que não escolhemos, nos foi dada e pra aceitá-la, precisamos de muita busca interior e cura interior. Mas vamos superar e juntas vamos vencer. Obrigada por todos os momentos de escuta, de dedicação e de boa vontade para com a minha pessoa, saiba que gosto muito mesmo de você.

Débora disse...

Gaby, adorei o texto! Realmente é algo pra refletir. Nessa confusão toda que nos encontramos, as vezes não conseguimos enxergar as coisas com clareza e culpamos o mundo por nossas perdas. A verdade é que nossos filhos não se foram para sempre, estão vivos e precisam da nossa aceitação para para serem felizes e seguirem seus caminhos até que a gente possa reencontrá-los.

Um forte abraço com todo o meu carinho!

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